"É o mesmo que ter que esconder minhas velhas bonecas e
negar ao meu corpo o toque que tanto faz falta."
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É como ter que baixar a guarda.
É como ter que esquecer o cheiro do teu cabelo.
É esquecer.
Apagar essa mágoa.
É como ter que esconder minhas lágrimas,
é como ter que secá-las com qualquer pano de manga
qualquer pano!
qualquer manga!
É esquecer do som que faz teu peito quando nervoso
É esquecer o seu hálito
É hábito.
É o hábito, sutil hábito, de não te ter mais.
A cama, antes tão acostumada aos corpos entrelaçados
não mais reclama.
Apenas um corpo para carregar agora.
Assim como os copos, talheres, pratos, taças,
cadeiras...
Todos se acostumaram a sobrar em seus espaços.
Até mesmo a porta de casa habituou-se à apenas reconhecer o segredo
de apenas um cópia de chave.
Claro! habitou-se também à tranca nova.
Os pés frios acostumaram-se ao frio,
assim como as orelhas e até mesmo o cobertor.
A máquina de lavar habituou-se a um único cheiro de suor.
Assim como os lençóis da cama.
Assim como meus cabelos acostumaram
a não amanhecerem embalados por cafuné.
Até mesmo a latrina habitou-se!
E o pano de chão, e a pia da cozinha,
o guarda-roupa, o armário de merenda.
A comida habitua-se cada vez mais rápido
a apodrecer.
Assim como todo o resto da feira
habitua-se a durar semanas.
Assim como eu me habituei
a me obrigar a te esquecer.
Tudo ao redor conspira,
apoia e
admite
que, pra mim,
a solidão cabe melhor
que a ilusão
de um dia
ter tido
um alguém
a quem amar.
1 interessados:
Gabi, isso tudo em você é uma delícia! Estou lambendo os lábios. =) Vc é demais!
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