E se eu disser que a dor parte o peito ao meio
e que a solidão despetala a alma
que transforma o corpo em freio
que detona a mente, que se nega a ir embora.
se digo que minha alma sangra
e meu corpo mente
que minha mente não mente
e que meu peito chora
se digo que a solidão me faz desespero
e que o desespero me faz caminhar sozinha
se desapareço no escuro com os olhos
borrados de negro
e o corpo cheirando a tu
e a alma fedendo a desalento.
se me atiro ao relento e tento esquecer
e se esqueço e não mais consigo rememorar
se me largo e te deixo me esquecer
e se a culpa cala o peito
e deixa o coração apertar.
e se a solidão apavora a dor
e a dor confunde a alma
e a alma esquece o peito
e o peito, sozinho, chora.
e se meu olho borrado de negro te encara
e você desvia e encara outro olhar
se meu corpo reclama o teu
mas, no fundo, aflito, cala.
se minha garganta grita teu nome
e meu coração acelera no teu cheiro
se minha agonia, silenciosa, cansa
e se a tristeza, mansa, me atordoa.
se atordoada não vejo nada
e minha visão turva teu olhar
se teu olhar some no mundo
e meus olhos, borrados de negro, cansam de te procurar.
se minha pele, quente, se liberta.
se teu abraço não mais acalenta meu corpo
se o corpo não mais sustenta calado.
se a dor te de te deixar fica
e o arrependimento surge sorrateiro
e o desapego surge pra embalar meu pranto
e se meu pranto se espalha com medo
e, temeroso, fere a alma,
acalenta o sorriso
e esconde o amor
e torna finito todo o sofrimento
e desaparece com toda a apreensão
e desanima a solidão
e liberta o coração machucado.
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Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei
[Los Hermanos]
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