segunda-feira, 15 de março de 2010

Domesticado.

Quando digo que te criei, nem mesmo eu acredito. Prefiro crer que nos "criamos" assim, Exatamente como nos mostramos. Isso. Como nos mostramos. Não somos tão intensos, nem tão verdadeiros, nem tão amantes, muito menos tão pouco sensatos. Não somos tanta alegria, nem tanta camaradagem. Mas assim preferimos ser, para que possamos crer na existência do amor que nós dois inventamos.

Amor feito sob medida para dois cafajestes como eu e você. Essa entrega sem peso, sem limites, sem censura. Esta realidade ilusória que faz com que sintamos a ausência do outro. Que sintamos um "vazio de banco de parque" assim que o outro sai da cama. Mundo criado com o melhor que o nosso prazer pôde nos proporcionar.

Não cabe em nenhum outro mundo esse amar que trouxemos para a realidade de cada um. É tão criança que ainda brinca de gangorra. E uma dia ele vai chegar à fase de rebeldia, vai ameaçar aqueles que o criou. Irá negar suas origens, encher-se-á de censuras, valores próprios, orgulho. Tão logo esta fase tenha passado, virá o tempo em que será mais compreensível. Virá o tempo em que será adulto suficiente para perceber que foi inventado. E não vai aceitar essa condição.

Criamos uma forma de amar que pode não sobreviver. Que pode não durar. Amar que não sabemos até quando iremos suportar. Antes de mais nada, vale ressaltar, por mais estranho que nosso amar possa parecer, peço apenas que seja eterno... dure o quanto tiver que durar, mas não deixemos que se torne repúdia, ódio, asco. Que não se perca... nunca.

0 interessados: